Nos últimos meses, a América do Sul testemunhou um aumento significativo na procura de frigoríficos comerciais de bancada, marcando uma mudança fundamental na forma como restaurantes, cafés, lojas de conveniência e pequenos retalhistas gerem o armazenamento frigorífico. À medida que as cidades se expandem e os imóveis se tornam cada vez mais caros, as empresas no Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Peru estão adotando soluções de refrigeração compactas que oferecem um desempenho de refrigeração poderoso sem sacrificar o espaço físico.

O refrigerador comercial de bancada — projetado para caber embaixo de bancadas ou estações de trabalho — emergiu como um divisor de águas para os setores de serviços alimentícios e varejo da região. Essas unidades oferecem uma alternativa elegante e modular para refrigeradores volumosos ou modelos independentes, tornando-as ideais para layouts de cozinha compactos, food trucks móveis e vitrines minimalistas.
De acordo com um novo relatório da LatinMarket Insights, o mercado sul-americano de refrigeração comercial cresceu 14,3% ano a ano em 2023, com modelos de bancada representando quase 40% de todas as novas instalações. O Brasil lidera a região em termos de adoção, seguido de perto pela Argentina e pela Colômbia, onde tanto os incentivos governamentais como os investimentos do setor privado em infraestruturas sustentáveis aceleraram a transição.
“O espaço é escasso na maioria dos centros urbanos”, disse Carla Mendes, gerente de operações de uma rede de padarias artesanais em São Paulo. "Costumávamos depender de grandes refrigeradores que ocupavam metade da nossa cozinha. Agora, com unidades subterrâneas, liberamos um espaço de trabalho valioso, mantendo ao mesmo tempo um controle consistente de temperatura para ingredientes e produtos acabados."
Para além da eficiência espacial, o apelo reside nas tecnologias avançadas de poupança de energia. Os refrigeradores subterrâneos modernos na América do Sul agora apresentam compressores inverter, refrigerantes ecológicos (como o R290) e termostatos inteligentes que ajustam o resfriamento com base nas condições ambientais e nos padrões de uso. Estas inovações não só reduzem as contas de electricidade, mas também se alinham com os objectivos regionais de sustentabilidade.
As regulamentações ambientais também estão impulsionando a tendência. Países como o Chile e a Colômbia introduziram normas de emissões mais rigorosas para aparelhos comerciais, eliminando gradualmente refrigerantes mais antigos e com elevado PAG (Potencial de Aquecimento Global). Em resposta, fabricantes como Midea, Haier e marcas locais como Brastemp e Consul lançaram novas linhas em conformidade com essas regulamentações, oferecendo recursos como monitoramento de Wi-Fi, diagnóstico remoto e crachás de certificação energética.
Para as pequenas e médias empresas (PME), a acessibilidade e a escalabilidade dos frigoríficos de bancada apresentam uma grande vantagem. Ao contrário dos sistemas de refrigeração comercial tradicionais que exigem instalação e manutenção extensivas, muitos modelos de bancada podem ser conectados e operados imediatamente, reduzindo os custos de inicialização e o tempo de inatividade.
Além disso, a ascensão das plataformas de entrega de alimentos e das cozinhas na nuvem impulsionou ainda mais a procura. As cozinhas somente para entrega em Lima, Bogotá e Buenos Aires geralmente operam em espaços compartilhados ou compactos, exigindo soluções de refrigeração eficientes, silenciosas e confiáveis que não atrapalhem o fluxo de trabalho.
“Com a gig economy remodelando a forma como as pessoas comem, precisamos de equipamentos que caibam em microcozinhas”, explicou Javier Ruiz, consultor de tecnologia de uma rede de cozinhas em nuvem na Cidade do México. “Os refrigeradores subterrâneos nos permitem armazenar ingredientes com segurança e acessá-los rapidamente – algo fundamental quando a velocidade e o frescor são importantes.”
Apesar da dinâmica, os desafios permanecem. As perturbações na cadeia de abastecimento, as taxas de câmbio flutuantes e as redes de distribuição desiguais nas zonas rurais ainda dificultam a adopção generalizada. No entanto, distribuidores locais e plataformas de comércio eletrônico como MercadoLibre e Linio estão intervindo para preencher lacunas, oferecendo planos de parcelamento, garantias estendidas e suporte no local.
Olhando para o futuro, os especialistas do setor prevêem um crescimento contínuo no segmento de refrigeradores comerciais de bancada. Até 2027, os analistas prevêem que o mercado sul-americano poderá atingir 2,8 mil milhões de dólares em valor, impulsionado pela integração digital, certificações verdes e expansão do consumo da classe média.
À medida que a sustentabilidade, a eficiência e a inovação convergem, o humilde frigorífico de bancada já não é apenas uma peça de equipamento – é um símbolo de práticas empresariais modernas e ágeis numa das regiões de evolução mais rápida do mundo.
Para os restauradores, retalhistas e empresários de toda a América do Sul, a mensagem é clara: o futuro da refrigeração comercial não é maior – é mais inteligente, mais pequeno e mais sustentável do que nunca.
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